Passado o furor inicial de “Menos Luiza, que está no Canadá”, para os profissionais da criação, resta, no mínimo, o estudo do case. O VT, criação da agência Oficina de Propaganda, de João Pessoa, foi criado de maneira simples: a cidade é pequena e se Luiza não aparecesse todos perguntariam.
A frase explicando a ausência da filha, narrada pelo colunista Gerardo Rabello, ganhou as redes sociais. Aproveitando o gancho diversas marcas usaram o bordão em seus anúncios. Até o Ministério do Turismo entrou na onda. Luiza, então, caiu nas graças dos apresentadores dos telejornais da Globo, e Carlos Nascimento, do jornal do SBT, criticou o ocorrido de maneira ácida.
O resumo da ópera é um VT com orçamento de apenas 15 mil reais – fora o cachê do colunista Rabello – e repercussão de alcance incalculável. Para entendermos um pouquinho esse fenômeno, convidamos dois publicitários paraenses pra falar sobre o assunto. Escolhemos duas feras da nossa criação, de gerações diferentes, justamente para ilustrar as diferenças e os pontos de interseções entre as opiniões de cada um.

Glauco Lima
Glauco Lima
“As redes sociais ampliaram para uma dimensão nacional e até mundial o que antes era uma brincadeira entre a família, os colegas de trabalho ou amigos da vizinhança. Redes sociais sempre existiram e sempre existirão, mas as redes sociais na internet revolucionaram até a internet. Casos como esse de Luiza/Canadá vão continuar ocorrendo. A revelia de especialistas em web, mercadólogos, publicitários ou jornalistas. É fenômeno, é imprevisível, imponderável e ainda não se sabe os efeitos reais disso na vida social. A certeza que tenho é de que é um grande radar da vida, e cada um, capta conforme a capacidade de suas antenas pessoais.”

Sidney Barra
Sidney Barra
“O episódio ‘Menos Luiza’ não era pra ser um case e por muita sorte gerou tanto buzz que virou um e, mostrou o quanto a estratégia on-line deve ser levada em consideração bem como as redes sociais, que mostraram a sua força e, inclusive, dobraram a Globo, famosa por não permitir divulgação de marcas de graça e que se viu obrigada a veicular trecho do filme em vários programas. O agora case, Luiza, também foi tão importante que gerou pra a família vários contratos de publicidade e a agência África de Nizan Guanaes, oportunista, já vai levar o pai da Luiza pra mais 3 clientes seus, o filme da Vivo já estreou. Da próxima vez, leve em consideração a estratégia on-line porque a Internet é uma realidade.”